Início » Quando o Universo te Força a Parar

Quando o Universo te Força a Parar

Ultimamente tenho me perguntado sobre o meu esgotamento mental.

As demandas parecem não ter fim, e as forças, cada vez mais escassas. Tento reunir energia para retomar minhas atividades como designer, mas há dias em que o simples ato de começar parece um peso.

Uma frase me acompanhou por meses: “Nunca trabalhei tanto como este ano.”

De repente, o mundo se fechou em torno de mim — como uma caixa apertada — e me vi aprisionada dentro dela. Eu não conseguia sair. O ar rarefeito da ansiedade me fazia sufocar entre prazos, entregas, cobranças e a eterna pressa da vida moderna.

Às vezes sonho em apenas trabalhar com as mãos: terminar uma tarefa, ir embora, deixar o trabalho no lugar onde ele pertence.

Mas nós, os que vivem da mente e da criação, carregamos o ofício dentro do peito — ele não desliga quando o computador desliga.

E então vem a culpa.

Culpa por descansar, por parar um pouco, por não cumprir cada item da lista. É estranho se sentir culpada por algo tão humano quanto o descanso.

Mas me peguei pensando: será que estou me cobrando demais? Será que eu esperava de mim uma perfeição que nunca existiu?

Percebi que vivi meses mergulhada em projetos, dando tudo de mim, trabalhando fins de semana, acreditando que “só mais um esforço” me traria alívio. Mas o alívio nunca vinha. Assim que um projeto terminava, outro já batia à porta.

E, sem perceber, eu estava presa num ciclo sem pausas, sem domingo, sem tempo.

Demorei para entender o que estava acontecendo. Demorei para enxergar que a consciência é a chave da libertação.

Grande parte do nosso sofrimento nasce do automatismo: de viver no modo “fazer” e esquecer o “ser”.

Eu queria agradar, provar, conquistar meu espaço. Mas, nesse desejo, esqueci de existir fora do trabalho.

O tempo — o bem mais precioso — escorreu pelas mãos enquanto eu tentava equilibrar o impossível.

Agora percebo que o corpo e o Universo sempre deram sinais.

A exaustão é um chamado do Espírito.

A irritação, um pedido da alma por pausa.

E foi isso que aconteceu: os pequenos acessos de raiva, o cansaço constante, a falta de brilho nos olhos — todos eram alertas de que eu precisava parar.

Parar de verdade.

Ontem, sentei na varanda com uma xícara de café com leite e apenas observei o jardim.

Sem telefone, sem culpa, sem pressa.

Lutei internamente com a vontade de “ser produtiva”, mas fiquei ali. E, pela primeira vez em muito tempo, senti paz. Percebi que descansar não é dormir mais horas.

Descansar é permitir que a mente se silencie.

É sentar e simplesmente não fazer nada — nada além de existir. É deixar os pensamentos correrem livres, sem tentar capturá-los. É observar as emoções sem querer consertá-las.

O descanso é presença.

E estar presente é o mais profundo ato de amor-próprio.

Termino essas palavras lembrando a mim mesma — e a quem ler — que o Universo sempre fala.

Ele sussurra pelos cansaços, pelos atrasos, pelas pausas forçadas.

Se algo te obriga a parar, talvez seja o sagrado te chamando de volta para dentro.

O descanso mora no silêncio.

E o silêncio é onde a alma volta a respirar. 

More Reading

Post navigation

O que você achou do post?

Descubra mais sobre Mistérios da Felicidade

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading